A namoradinha vai me ajudar a entrar na faculdade – de Murillo Magaroti

A mãe dele o chamou para uma conversa e, como dizem, colocou ‘as cartas na mesa’. Ele tinha 17. Estava no terceiro ano do colegial, ano de vestibular. Era abril.

Em vez de cursinho preparatório, ficou combinado que a mãe contrataria uma espécie de professora particular. Bom, na verdade, era mais como uma amiga de estudos – e ele não tinha muitas amigas. Uma puta. ‘Namoradinha’, como dizia o anúncio.

A namoradinha tinha peitos pequenos, duros mas macios; cabelos até o meio das costas, negros. O aluno, ou, como dizem, vestibulando, a chamava de Easy, por conta das ‘aulas’ de inglês. “It’s easy, baby”, ela dizia, a cada resposta certa dele.

O primeiro mês de estudos com ela se passou, e a mãe se empolgou com os avanços. O método de Easy era promissor; inovador. O filho nem saía de casa. Respondia as perguntas de Easy que, com os livros a mão, conferia as respostas. Se estivesse certa, ele ganhava um beijo, ou uma carícia – as mãos dela eram macias; quentes. Se errasse, recebia um tapa. No começo ele errava de propósito, e então o tapa passou a ser considerado só em respostas corretas. Ele escolhia, portanto, entre tapa, beijo e carícia. E ela fez até um dado, a pedido dele, com três faces para tapa, duas para beijo e uma para carícia. “Na sorte é melhor”, ele dizia.

Eles estudavam português, matemática, geografia, história, química, física, biologia, literatura, – a porra toda. Quando tinha cálculo envolvido, ele se concentrava pra valer. Podia perder até 20 minutos em cada cálculo, mas, se acertasse, ganhava o tempo que havia sobrado em sexo oral. Normalmente o tempo que restava era de no máximo 5 minutos, mas Easy fazia mágica com os lábios, língua e maxilar, e aqueles poucos minutos duravam horas, como uma dormida depois do almoço.  Para quase todas as outras disciplinas, eles jogavam o dado feito por Easy. Jantavam quase no final do dia e ele dormia no colo de Easy, ouvindo as estórias de José de Alencar, Machado de Assis e toda a merda que os vestibulandos são capazes de aguentar.

Às vésperas do vestibular, Easy entregou a ele alguns simulados. Ele foi muito bem em todos e, como ficou combinado previamente, caiu de boca e de pau na bucetinha macia de namoradinha da Easy, raspadinha, cheirosa, durante toda a sexta-feira. O vestibular foi no fim de semana.

Ele se sentiu muito bem nos dois dias de prova, à vontade. Respondeu todas as perguntas com toda a certeza do mundo. Aquela moça, namoradinha, parecia, além das próprias pernas, ter aberto a mente do rapaz.

Easy ainda foi à casa da família, duas ou três vezes, sem receber pagamento da mãe. Pagava uma pra ele e ia embora. Tinham criado certa afinidade.

Chegaram os resultados. Ele foi reprovado.

Easy largou a carreira de professora. Uma pena. Ela até havia considerado colocar essa habilidade no anúncio.

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