Leo, o leão – de Murillo Magaroti

Eu não vou adotar um cachorro. Não vou sequer comprar um.
Me falaram de uma moça, de uns 30 anos, que recolhe cachorros de rua. ‘Legal’, eu disse. E, na sequência, me pediram para adotar um de seus cães. “Ela recolhe e depois pede pra adotarem?” Não, eu não vou adotar cachorro nenhum. Não é minha culpa se não ensinaram planejamento familiar pra esses animais.
Essa que me falou sobre a tal moça tem uns 30 anos também e gosta de vomitar coisas sobre os animais e como eles são tão melhores que nós. “O ser humano é desprezível”. Sabe, é o tipo de discurso que as pessoas gostam de ouvir. São as mesmas que castram seus cães, na primeira oportunidade; que concordam que os pássaros devem ficar soltos, mas os cachorros, não, eles não podem ficar ao relento. Eles mal acostumaram esses pobres animais; não sobrevivem 5 minutos lá fora.
Meu vizinho não tem um cachorro, ele tem um gato. O gato dele sai, sempre que pode. Isso sim é atitude de um animal que se preze. A vida tá na rua, não é isso? O gato do meu vizinho vai, sempre que pode, no bar mais próximo comer sardinha e tomar uma dose de rum, enquanto os cachorros estão sendo recolhidos por moças de trinta e poucos anos. Os gatos riem dos cães. “Hahaha. Mais um rum pra mim, Joe!”
É. Mas ”o ser humano é desprezível”. “Mata e rouba”.
Me contaram, eu disse pra minha amiga de uns 30 anos, a história de um leão. “Deu em todos os telejornais do mundo animal. TV SAVANA”. O nome dele é Leo. Matou um amigo de seu bando, Simba, porque Simba olhou para o rabo de sua mulher, Tisha. No dia seguinte, matou Tisha também, porque Tisha quis comer o primeiro pedaço da presa que ela mesma caçou. Os telespectadores da TV SAVANA ficaram horrorizados com a notícia. “Chocou todo o povoado do Tikawaka”, conhecido por nós humanos como deserto do Kalahari. E o povo do Tikawaka disse: “aqui é uma selva mesmo! Nós temos que nos organizar e criar leis, como os HUMANOS”.

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2 comentários sobre “Leo, o leão – de Murillo Magaroti

  1. Nada contra os leões, cães ou humanos num geral. Mas me irrito um pouco com essa “sensibilidade seletiva” que o mundo adotou. Sei lá, é meio que um saco quando você se choca com um cão abandonado e passa todo dia pelo Vale do Anhangabaú sem olhar pro cara jogado com as pombas.

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