Eles esperam a próxima sexta-feira e eu nada espero – de Murillo Magaroti

O conselho tutelar chegou na minha casa ‘sem avisar’. “Não repara a bagunça”, eu disse.

– MAS QUE BAGUNÇA É ESSA?

– O que eu disse?

Eu tinha avisado eles.

– Nós avisamos que viríamos, sim, meu senhor. E o senhor foi notificado das muitas denúncias que recebeu…

 

O que acontece é que minha esposa me achava um perdedor, fugiu, e deixou a nossa filha – pra perder comigo. Segundo ela, eu estava ‘empatando a vida dela’. “Eu perco ou empato? Me explica melhor”. Ela se foi sem se explicar. Ironicamente, eu via futebol na ocasião.

 

Naquele dia, eles, o conselho tutelar, me visitaram, e repararam na bagunça. “A menina não pode viver com o senhor. Não nessas condições. Teremos que levá-la ao abrigo”.

– Ok, entendo, vou fazer a mala dela…

– Não hoje. O senhor será notificado.

Eles me notificaram e voltaram e parte do diálogo foi o mesmo; parte foi diferente. A pequena, assim como a mãe, se foi. Eu fiquei.

Abri uma cerveja e pensei naquela estória de perder e empatar. Eu podia até ser considerado, por maioria de votos ou mesmo por unanimidade, um perdedor. Mas… enquanto muitos estavam por aí, em prédios, escritórios, sedentos por um fim de semana, uma cerveja, um par de chinelos e ninguém por perto, eu estava ali. Eu estava preparado pra morrer, afinal. Triste deve ser morrer antes do final de semana chegar…

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4 comentários sobre “Eles esperam a próxima sexta-feira e eu nada espero – de Murillo Magaroti

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