Saga Deadline, parte 4 – de, novamente, Murillo Magaroti

Eu tinha uma fonte para entrevistar. Peguei a pauta, peguei o ônibus, peguei meu bilhete único, que estava no bolso, passei na catraca, me sentei e dormi.

A fonte era fria como o mármore, escapava das perguntas como a água entre meus dedos finos. Era velha, muito velha, mas sua função era trazer alegria ao coração dos adultos e velhos e ranzinzas e saudosistas. A Fonte da Juventude existia realmente, e eu, finalmente, teria o prazer de entrevistar alguém importante. Obviamente, só depois da minha primeira pergunta fiquei sabendo que ela não tava nem aí para entrevistas, tampouco para continuar realizando seus milagres.

– E então, alguém famoso passou por aqui? …tive informações que sim… Madonna? Avril Lavigne? Maitê Proença? Pica-pau?

– Não.   – aaaahhhh, esses monossilábicos.

– Alguém famoso?

– Er… aquela velha esteve aqui.

– Quem?

– A Hebe.

– Você trouxe a juventude a ela? – perguntei no automático.

– Não, imbecil! Ela morreu. Você não assiste TV?

Só tive a oportunidade de fazer mais uma pergunta. Escolhi perguntar a idade da Fonte. Ela ficou nervosa e depois transbordou em lágrimas: “Como pode? Eu faço todos jovens, mas fico cada dia mais velha, velha, VEEEELHAA”. Realmente, um dilema em tanto. Deixei o lugar, mesmo com quase nada de material, mas já pensando no texto.

Peguei o bilhete único, que novamente estava no bolso, e voltei para a redação, rabiscando meu bloquinho.

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