Ou os pássaros que conheço são burros ou se fingem – de Murillo Magaroti

Quem começa a assoviar, anunciando um novo dia, horas antes deste nascer?

O dia começa quando, aliás?

O meu, de desempregado, começa e acaba e eu nem vejo

As horas passam, os dias passam; os meses; os anos

Às vezes, acho que a vida é breve demais; outras, penso que se vive muito

A eternidade me parece um castigo, seja no céu ou inferno, ou nos corredores de uma pirâmide, enfaixado, como se tivesse passado no ortopedista, “é uma luxação”, ele disse

Órgãos em potes, órgãos em conserva, ou como alimento dos decompositores do solo, ou nos corpos de outros… imagino se esses terão algo de mim junto dos órgãos, espero que não, é um presente, não um carma

Um coração que bate preguiçosamente; um cérebro que não dorme e nem pensa tanto assim

Pulmões estragados pela fumaça mundana; fígado semi-novo

Olhos verdes, posso passá-los a frente? PASSO O PONTO

Então, outro poderia usá-los SOB NOVA DIREÇÃO

Parte de mim, por aí, olhando para pernas, bundas, ombros, seios, oh sim, existe vida após a morte!

Porque, às vezes, a vida parece-me breve; outras, penso que se vive demais

Os meus olhos vão ficar, está decidido, eles não querem ir para os estômagos dos decompositores

E você vai saber quando os vir por aí, eles estarão sobre suas pernas, ou bunda, ou ombros, brilhando, verdes, mais vivos que nunca

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