Não é ‘vagão’ que fala, é carro!

Não é ‘vagão’ que fala, é carro!* Pregar isso onde quer que eu vou é apenas uma das manias (uma mania chata) que peguei por trabalhar durante mais de 4 anos com Jornalismo Segmentado — voltado ao mercado metroferroviário.

De 2012 para 2013, a Revista Ferroviária abriu as portas a um estudante sem muitas habilidades em entrevistas, e foram duas as porteiras desse castelo: a Carol (que estudava comigo na Unicsul e estava de saída da RF) e a Mariana, que ocupava o cargo de editora na época e cometeu o ato pouco lúcido de me contratar.

Eu fui estagiário por dois anos, segui contribuindo como freelancer, voltei como repórter (graças ao Claudinei e ao Gustavo) e ainda, como chorinho de garapa, fui freelancer mais uma vez. Ao todo, tive o prazer e alguns percalços de contribuir em ao menos 24 edições bimestrais + 3 Anuários RF + 2 Mapas + em incontáveis eventos do setor, ajudando na organização também e principalmente cobrindo — sendo 4 NT Expo (maior feira metroferroviária para a América Latina). Também joguei conversa fora, especialmente com o Ruan, o Daniel da Circulação e a Juliana (comecei pegando o link do LinkedIn dos primeiros citados, mas desisti quando citei quase todo mundo), aprendi com o Gerson, com a Regina, a Thais, a Bianca e todos os citados anteriormente, claro.

Sem mais papo furado, gostaria de falar hoje de um dos trabalhos que mais me orgulhou ter feito por lá: o Anuário RF 2017, publicado em 2018 e o mais atual no momento até logo logo sair a edição de 2018. O Anuário RF 2017 contou com mais de 300 páginas (100 páginas a mais que a edição anterior, que também teve minha dedicada contribuição). A parte editorial (ou seja, aquela destinada à apuração jornalística, responsabilidade da Redação, no caso, minha) teve um salto em volume de ao menos 50 páginas, com a inclusão de mais informações sobre as operadoras de transporte de carga e de passageiros sobre trilhos, além de uma nova seção muito maneira, com dados dos trens turísticos existentes no país.

Segue uma fotinha do meu menino e um link, disponibilizado pela Revista Ferroviária, com a degustação desse produto que tanto significa pra mim, não só profissionalmente:

Degustação Anuário RF 2017 – Revista Ferroviária

capa anuario

*Vagão é um termo utilizado pela mídia especializada e/ou empresas do setor para tratar unicamente das estruturas utilizadas para levar carga (no Brasil, geralmente minérios e grãos). ‘Carro’, do termo ‘carro de passageiros’.

Anúncios

Mestres cervejeiros

Na Alemanha, eles tomam Antártica e dizem: é cerveja brasileira, bem refrescante e leve, não é igual essas porcarias que vocês bebem.

Na Rússia, eles bebem cachaça e dizem: bem melhor que vodca, vodca não tá com nada.

Na Escócia, eles bebem conhaque e dizem: já ouviu falar de Dreher?

Há mais entre Eduardo Galeano e o Galeano do Palmeiras…

Há mais entre Eduardo Galeano e o Galeano do Palmeiras que a nossa vã literatura pode abarcar. Quase Shakespeare, quase Galeano (um dos dois), eu aproveitei em parte essa grande lacuna que nos sobra e cobri no segundo semestre de 2018 (e pretendo cobrir neste primeiro semestre de 2019) as melhores e as piores partidas de futebol society que o Chuteira de Ouro consegue proporcionar. Trata-se de um campeonato amador, realizado no Playball Pompeia, Zona Oeste de São Paulo. Foram ao todo 54 partidas que assisti e escrevi sobre em 2018. Seguem alguns dos textos e outras coisas que fiz por lá:

GABS FEZ FALTA!

DISCIPLINA COM SUSTO

(QUASE) TUDO AZUL

PANELA DE PRESSÃO

MAGNATAS É PRATA!

GUINA É O BAM BAM?!, BEÇA É O BAM BAM BAM!

O SENHOR DAS ÁGUAS

ARRUMADINHO

FINAL: MAIS UM PRO BAIXADA!
Cobertura em quadra, ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=uGKUsj0ArfU

Comentários Final Feminina, cobertura ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=Xp9pLE8JRHw

PREVISÃO: DÁ PRA FUGIR DO ÓBVIO?

ANÁLISE: DE PONTA A PONTA

 

 

ReDescobrindo os videogames

Já vai pra quase dois anos que me aventuro a partilhar com a internet a minha relação com outro mundo virtual: o dos videogames. Esse projeto nasceu com a criação de outro blog pessoal, o ReDescobrindo Clássicos, e rendeu outros frutos, quando me juntei com meu colega da época da faculdade, Gabriel Bonafé, e criamos o podcast Meu Memory Card. Como quase todo projeto, esses dois por vezes dão uma desacelerada, mas seguem. Seguem, assim como a vontade de imergir num universo completamente diferente e inexplorado e esquecer do mundo inteiro que há aqui fora — esquecer, exceto pela compulsão de escrever sobre estes outros universos assim que de volta à superfície.

Em breve mais novidades. Por aqui e lá.

GuilHerme

Quando meu irmão nasceu, eu escolhi o nome. Na verdade, me deram duas opções. Uma delas era Heitor, que eu julgo até hoje um nome de velho. Mesmo que um dia a criança se torne velho, não achava justo, nem acho ainda, que um bebê mereça um nome de velho. Então, ficou Guilherme mesmo, a outra opção.

Só depois de muitos anos, em um dos meus empregos de telemarketing da adolescência, eu percebi que fiz a escolha errada. Não que Heitor ainda seja uma alternativa, longe disso, mas Guilherme devia ser escrito de outra forma, do Guilherme aqui de casa e de qualquer outro. Eu trabalhava com telemarketing, como disse antes, e em telemarketing é normal usar nome de guerra. Já tinha um Murilo quando eu entrei na empresa, então fiquei sendo Guilherme. E quando entrou um Guilherme de verdade na empresa, o Murilo original já tinha saído e eu continuei sendo Guilherme mesmo assim, e o Guilherme que entrou teve que escolher outro nome. Ele podia ter escolhido Murilo até, imagina…

Aliás, são dois erros. O primeiro na grafia do nome que, eu juro, explico já já. E o segundo erro, esse só meu, foi escolher ser chamado de Guilherme na empresa. Porque quando eu chegava em casa minha mãe chamava meu irmão e eu atendia.

Em todo tempo que fiquei trabalhando lá, 1 ano, por aí, se eu acertei 3 vezes a pronúncia do meu, suposto, próprio nome foi muito. Eita nome difícil de falar, hein?! Acho que todo mundo conhece um Guilherme, que é um nome bem comum, meu irmão já estudou em sala com outros 3 Guilhermes. Mas todo Guilherme, que a gente conhece ou não, a gente chama de Guilerme. Ou por apelido, que é até melhor. Essa porra de h é tipo o l em ‘world’, tem que se concentrar demais pra falar, senão não sai.

Nossa mãe gosta de inventar mesmo, tanto que colocou dois l no meu nome. Esse l adicional, ao menos, nem eu nem ninguém é obrigado a falar. E eu não ligo também se deixarem ele de lado na hora de escrever. Me sinto a pessoa mais nojenta do mundo quando tenho que falar meu nome pra alguém e, geralmente pra algum cadastro, me vejo obrigado a falar ‘é com dois l’.

Ê mãe! Abraço pro Guilerme!

Por que os Jogos de Inverno foram tão interessantes quanto são os de Verão, talvez mais

Título longo para análise curta — ou quase. O objetivo aqui é registrar, como espectador, o quão interessante foi acompanhar as transmissões dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, realizados no condado de Pyeongchang, na Coreia do Sul, entre os dias 9 e 25 de fevereiro.

O principal nome que representa o sucesso desses jogos e que possivelmente será lembrado mesmo para quem, como eu, nunca viu neve na vida é o de Ester Ledecká, atleta checa que levou dois ouros — sendo um na sua especialidade, onde era a favorita, líder do ranking mundial (snowboard); e outra em modalidade na qual nunca tinha chegado perto de vencer uma etapa mundial e inclusive pegou o equipamento da miga pra poder participar (esqui alpino). Brasileiro gosta de torcer pros mais fracos, com menos chances, assim como gostamos também de torcer para aqueles com quem criamos empatia — e, apesar dos pesares, em alguns casos, criamos empatia fácil fácil.

Então, eu estava acompanhando ao vivaço, de madrugada, quando a austríaca Anna Veith era cumprimentada por outras atletas, antes do final da prova. “I am so happy for you”, disse uma delas. O comentarista do SporTV, que infelizmente não lembro o nome e nem consegui achar, explicou: Anna, até ali com o menor tempo entre as atletas que tinham descido a montanha nos esquis, dificilmente ia ser ultrapassada por qualquer uma das cerca de 10 atletas que iam descer ainda, porque essas últimas a descer tinham pior colocação no ranking mundial. Eram, aliás, poucas as chances mesmo de uma mudança na medalha de bronze. Daí já sabe… a gente fica meio bolado com isso, né, como assim ganhar antes de terminar? Tá certo que a austríaca não pediu pra ninguém cumprimentar ela por nada antes do fim. Aliás, se eu sou ela, depois de perder a medalha, como aconteceu, ia reclamar com as pessoas que acharam que ela já tinha ganhado e a cumprimentaram, tá na cara que foi culpa delas, zica do caraio…

Beleza… a Ledecká era a número 26. O comentarista fez uma brincadeira com o narrador. “Você acredita que ela teria uma chance de medalha?”, disse, para depois explicar que ela era favorita no snowboard e tal. E enquanto eles tavam lá, trocando ideia de boas, a mina foi e passou 1 CENTÉSIMO mais rápido que a até então primeira colocada. Puta que pariu. Isso, pra quem gosta de esporte a ponto de ver qualquer coisa, é que nem um gol do seu time de coração que vale a vitória no último lance do jogo. E a cara da Ledecká foi ótima. Daí eu já tava torcendo pra ela ganhar no snowboard também, até porque eu já conhecia ela, e só conhecia ela, infelizmente dormi antes da final da prova, porque o bagulho foi do outro lado do mundo e virava a madrugada sempre, mas ela ganhou e eu fiquei satisfeito que não tenha me decepcionado.

Esse episódio vale o ingresso, como a gente está acostumado a falar no futebol. Eu diria até que vale pela edição inteira de jogos olímpicos. Mas teve muito mais coisa que consegui acompanhar — e muita que não consegui também. Várias outras zebras, como o brasileiro gosta, no hóquei feminino e na patinação de velocidade feminina também, por exemplo. Vários esportes maneiros, bobsled, patinação artística, curling (famosa bocha, ou malha, no gelo), snowboard e esqui em categorias de manobras, tipo skate. E o que me chamou bastante a atenção também foi o quadro de medalhas. Tudo muito bem distribuído, apesar de, como acontece também nos Jogos de Verão, vários países ficarem sem um bronze que seja. Mesmo assim, diferentemente da olimpíada como estamos mais acostumados, com três ou quatro potências ganhando tudo — até 121 medalhas no total, 46 de ouro, como fez os EUA na Rio 2016 — o máximo que um país ganhou em Pyeongchang foi 14 medalhas de ouro (Noruega e Alemanha). Cabe dizer que os jogos de inverno distribuem menos de um terço do número de medalhas dos jogos de verão.

Além dos pontos já citados, o esporte como ferramenta diplomática que é, especialmente os Jogos Olímpicos, viu e mostrou para o mundo que as duas Coreias podem montar um time de hóquei feminino de boas (mesmo sendo um time ruim, não importa) — e ainda fazer um gol (de uma jogadora nascida nos EUA).

Por fim, queria compartilhar uma curiosidade que tive e fui procurar: sim, os jogos de inverno também têm sua versão paralímpica, que este ano acontecerá entre os dias 8 e 18 de março. E o Brasil, assim como aconteceu na edição que acabou dos jogos olímpicos de inverno, também contará com alguns poucos atletas na competição.

 

2 vidas

Pode ser como uma rejeição mas também pode ser como um abraço que dura a noite inteira. É o nó na garganta ou o sorriso bobo. A incapacidade ou a realização. Um não-entendimento mas também o reconhecimento. É a realidade ou o realismo fantástico. É um livro mal escrito, um filme ruim, ou um livro tão bom que nunca vai virar um filme razoável que seja porque dependia da forma para existir. Um pacote de amendoins como almoço, uma barrinha de cereais, ou isso mais uma conversa ao telefone ou uma visita de sobremesa. É um red bull ou duas doses de velho barreiro seguidas de dois copos de cerveja e cigarro solto. O dito ou o não-dito, o subentendido, a melhor seleção de mensagens subliminares. É o pleonasmo mas pode ser metáfora, metalinguagem. A foto pousada ou o contexto histórico, o discurso. Um post de Facebook ou uma conversa profunda. É o sexo ou o sexo com beijo. É como a cabeça dos nossos pais mas pode ser também as dos filhos dos filhos. O conformismo ou o mais romântico nível de socialismo possível ou impossível. A distopia barata ou a utopia rara. É como estar sem conseguir dormir por qualquer outro motivo ou pelo único motivo aceitável. É não saber se tem crédito no bilhete ou ter passe livre. É pagar caro pra ver um filme ruim ou ver qualquer filme pagando pouco. É o MASP em qualquer outro dia da semana ou às terças, os descontos em comida. A vontade ou a saciedade. É uma porta fechada ou um portão fechado às cinco da tarde enquanto as farmácias esperam. Agonia ou alívio. É um texto de cartão de aniversário ou um apagado de propósito para que não saia igual duas vezes. A indústria cultural mas pode ser a Fábrica. É maionese com milho e purê de batatas ou um prato de rúcula com manga e queijo e um ovinho com cebola frito na margarina porque óleo não basta à frigideira surrada. A frase pronta ou a ordem que as palavras nunca viu ninguém. O erro ou o erro proposital. É o parágrafo seco mesmo que inacabado ou o romance completo com margem à interpretação. É o vazio infinito ou o espelho. A falta de perspectiva ou a escolha. Um calhamaço que pouco ou nada diz ou uma frase que sintetiza o mundo. É nada ou tudo, inclusive nada. É um período de cinco anos, mas pode muito bem ser dez, vinte, trinta.